de perfil.

“Tay” é como os fãs carinhosamente chamam a coletânea oficialmente nomeada Maria  Tayza Lima. Lançada em meados de 1992, reúne 18 volumes de conteúdo diversificado, podendo o leitor encontrar desde os assuntos mais amenos até as mais intensas emoções. A variedade emocional costuma se acentuar em determinados capítulos da narrativa, intitulados “TPM”. São trechos onde predomina a oscilação entre o choro e o riso, a amabilidade e o mau humor. Por falar em humor, nota-se uma pitada de acidez, sarcasmo e ironia logo nos comentários da contracapa, mas não tanto a ponto de afetar a fluidez da leitura.

Longe da perfeição estética parnasiana, a obra apresenta traços modernistas, como a tentativa de quebrar paradigmas, mas também percebe-se a influência do romantismo, do realismo e do naturalismo. Escrita em prosa e em poesia, seus versos, muitas vezes, propositalmente não têm métrica nem rima, pois o autor sabe que nenhum best-seller é construído obedecendo a todas as regras. No volume que trata sobre o futuro, o eu-lírico manifesta a intenção de ser professor e jornalista, e deixa clara a consciência de que, se fizer só o que gosta, vai ser pobre para o resto da vida.

O vocabulário, por se adequar ao público, é de fácil entendimento. Claro que há construções sintáticas mais complexas, mas geralmente um olhar mais atento acompanhado de um raciocínio sensível costuma resolver o problema. A leitura é recomendada a crianças inteligentes, adolescentes não muito problemáticos e adultos compreensivos (solteiros interessantes também entram na lista).

i wanna breed that fire again

– Eu nunca sei o que tu queres dizer. Sempre fico pensando se é isso mesmo ou outra coisa

–  É só o que eu acho que é, nada complexo. Um dia tu vai entender…

Na verdade, não queria se explicar. Queria alguém que lesse sua mente. Alguém que soubesse sempre, ou que fizesse um esforço, pra saber o que estava querendo. Não é tarefa difícil, moço. Não costumava pedir demais.

Alguém que pudesse ler seus pensamentos enquanto fingia que lia a linha da vida, como desculpa pra segurar na mão.

As estrelas brilham
Como diamantes rebeldes
Cortados do sol
Quando você lê minha mente